Mundo PET - Gatos


Respeite o seu Bichano.

Respeitar a natureza dos gatos é o primeiro passo para a domesticação.

Adorados no Egito Antigo, os felinos tinham sua imagem associada á deusa Bastet, protetora das grávidas, que era representada com corpo de mulher e cabeça de gato. Pinturas com imagens de gatos já eram encontradas em tumbas igípcias de 1550 a.C. a.1070 a. C. Mas foi na idade Média que eles enfrentaram seus piores tempos. Um culto da época feito em homenagem a uma deusa pagã - Freya – envolvia gatos, e passou a ser considerado heresia pela igreja da época. Os membros desta seita passaram a ser punidos severamente com torturas e morte, e os gatos perseguidos, acusados de serem demoníacos, principalmente os de cor preta.

Alguns séculos depois, esses felinos ainda carregam o estigma de que são traiçoeiros, solitários ou menos afetuosos do que os cães. Proprietários apaixonados por seus bichanos garantem que não, e entre os adoradores é difícil quem tenha apenas um desse animal em casa. Mas por que então essa fama ainda persiste?

Fama de Mal

O fato é que a natureza dos gatos é diferente da dos cães, e por isso reagem de forma diferente aos mesmos estímulos. “o gato tende a ser mais solitário, desde sua origem não dependia dos outros membros de seu grupo para caçar. Já o cão vê seu dono como líder da matilha”, explica Dra. Clarissa Niciporciukas, médica veterinária especialista em comportamento de felinos. Desde o início da domesticação dos gatos, que data entre 4e10 mil anos atrás, alguns de seus hábitos têm se alterado, mas há comportamentos herdados de seu ancestral, o gato selvagem, que se mantém através dos tempos.

Quem nunca foi atacado por um gato pelo calcanhar? Pois saiba que isso nada tem de traiçoeiro, mas é simples manifestação primitiva do animal, garante Clarice. Nessa situação, o gato está simulando uma predação ou caçada; fica á espreita, escondido, e quando alguém passa o bichano salta em seu calcanhar, como quem surpreende uma

presa. Morde e vai embora, simples assim. claro que tal comportamento pode se tornar perigoso, principalmente se o “ataque” acontecer com idosos e crianças. Na opinião da especialista, esse comportamento reflete o sedentárismo ou falta de atividade do animal.

Isso se torna compreensível se observamos que na natureza o gato caça cerca de 20 presas por dia, em pouca quantidade, porque tem pouca reserva de energia. Imagine o que acontece quando ele mora em um apartamento, não brinca e tem comida á vontade? Fica obeso, predisposto a várias doenças, além de querer pular no seu calcanhar. A especialista dá algumas sugestões para driblar o problema; o dono pode simular situações de caçada, como esconder a comida em locais diferentes, ou estimular o animal a brincar mais com seus brinquedos preferidos.

Arranhar e ficar em lugares altos, “observando o movimento”, são outras atividades dos gatos que devem ser adaptadas para não trazer aborrecimentos aos donos, mas nunca proibidas.

Independência X Lealdade

Apesar de serem considerados como pouco afetuosos, os gatos sentem sim a ausência do dono. De fato sofrem menos com a separação do que os cães, se esta for temporária, mas em caso de falecimento, o gato sofre de uma forma muito particular, podendo até deixar de comer e morrer em seguida.

Leais, a seu modo, eles também precisam de movimento, odores e... parceiras! Mas gostam de faze-lo solitariamente, sem a companhia do dono, quando estão no rio, saem sem deixar pistas, necessidade que diminui bastante se o animal for castrado. Após 15 anos criando cães, Fábio Lasalvia passou a dedicar-se ao universo dos felinos. Segundo ele, os gatos cobram menos que os cães, ficam menos estressados com a sua ausência quando sai para trabalhar, necessitam de menos espaço e são muito mais limpos. “adquiri meu primeiro gato por grande insistência de um dos meus filhos”, conta Fábio. E de lá pra cá, já são 12 anos entre Himalaios, Exóticos e Ragdoll, em seu gatil que há seis anos é o mais premiado em exposições de gatos de raças.

O período mais sensível da socialização vai até nove semanas de idade, quando ele está mais aberto a novos aprendizados, então nessa fase é importante colocar limites e acostuma-los a diferentes situações, como visitas ao veterinário, andar de carro, na caixa de transporte, dentre outros. Quem dá a orientação é a Dra. Clarice, ela mesma tem sete gatos em seu apartamento. “Os felinos formam um contexto social bastante complexo. A adaptação deve seguir alguns princípios básicos, evitando assim que o gato torne-se não-sociável. Mas é difícil expor gatos adultos a situações totalmente novas, porque eles têm uma socialização muito sutil”, esclarece.

O fato é que mesmo tendo aprendido a viver nos apartamentos das grandes cidades, esses felinos ainda trazem em sua memória genética necessidades que devem ser preservadas e respeitadas. É importante conquistar a aceitação do animal, nunca bater nele. Dessa forma a convivência será satisfatória e enriquecedora para ambos.

fonte : Extraído da Revista "PAPO de PET - Espaço Pet  #01" edição fevereiro/março

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