Maus hábitos alimentares estão associados a diversos prejuízos à saúde, entre eles, a
obesidade, cujos índices têm crescido nas últimas décadas como resultado de aumento no
consumo de alimentos com alta densidade calórica e redução na atividade física. No momento
atual percebe um aumento do tempo gasto com o hábito de estar na frente do computador, da
televisão(TV) e vídeo game, o que contribuem para a inatividade física e sedentarismo.
Uma das principais causas que mais se destaca do hábito alimentar inadequado é assistir à
TV, a exposição de apenas 30 segundos a comerciais de alimentos é capaz de influenciar a
escolha da criança a determinado produto e estimular o consumo de fast foods. Diante da TV,
uma criança pode aprender conceitos incorretos sobre o que é um alimento saudável, uma vez
que a maioria dos alimentos veiculados possui elevados teores de gorduras, óleos, açúcares,
sal, e muitas calorias.
A obesidade e os elementos que com ela interagem são tão complexos que fica difícil tratar de
forma digna uma criança ou adolescente obeso sem uma equipe multidisciplinar. Na maioria
das vezes a obesidade acarreta dificuldades comportamentais, interferindo, assim, no
relacionamento social, familiar e acadêmico da criança. As crianças obesas são
freqüentemente importunadas pelos colegas e menos aceitas do que as crianças com peso
normal.
Na adolescência, a procura de alimentos calóricos encontra-se bastante elevada, levando ao
aumento do apetite e do ganho de peso contribuindo assim para o desenvolvimento da
obesidade. Essa fase, caracteriza-se por rebeldia, favorecendo a seleção de alimentos que nem
sempre são os mais adequados e balanceados, a alimentação pode caracterizar-se pela
repetição cotidiana de lanches rápidos (de baixo valor nutricional e alto valor calórico),
frituras, doces, em prejuízo das refeições habituais da família.
Escolher uma alimentação saudável não depende apenas do acesso a uma informação
nutricional adequada. A seleção de alimentos tem a ver com as preferências desenvolvidas
relacionadas com o prazer associado ao sabor dos alimentos, as atitudes aprendidas desde
muito cedo na família, e a outros fatores psicológicos e sociais.
A alimentação é uma necessidade básica ao desenvolvimento do ser humano, sendo nas fases
da infância e da adolescência que acontece uma maior transformação que favorece o seu
desenvolvimento nos aspectos físico, intelectual, emocional e social.
Um dos problemas à alimentação saudável de crianças e adolescentes começa no lanche
escolar, hoje muitas cantinas escolares ainda não oferecem opções para um lanche adequado,
oferecendo apenas sanduíches, salgados, refrigerantes, biscoitos industrializados, guloseimas
no geral, uma alimentação calórica e que não acrescentam valor nutritivo a dieta habitual.
Muitas vezes, as crianças preferem comprar esse tipo de merenda e se desinteressam pela
merenda colocada pelos pais em suas lancheiras, já que o interesse por guloseimas nessa fase
é grande.
A importância da alimentação escolar está comprovada em inúmeros estudos e pesquisas. A
escola tem um papel fundamental no incentivo ao hábito alimentar adequado da criança e
adolescente, dando exemplo do que deve ser uma alimentação saudável e conscientizando a
respeito do importante papel que a alimentação desempenha em nossas vidas promovendo
saúde e prevenindo doenças.
Assim como a participação do professor é muito importante, pois o comportamento alimentar
não é um ato mecânico, e tem grande influência emocional, pois existe entre professor e aluno
uma relação de afetividade, o que é fundamental para o êxito do projeto de educação
nutricional que é um fator essencial para as mudanças e melhorias dos hábitos alimentares ao
longo prazo, auxiliando a refletir sobre saúde e qualidade de vida.
Os educadores devem utilizar de sua criatividade e promover teatros, músicas, degustação,
trabalhos de pesquisa, horta escolar, enfim, é possível fazer uma série de atividades para que
os educandos conheçam melhor cada alimento, sua função e importância na sua formação
total como ser humano. E o incentivo da atividade física, que deve fazer parte do dia a dia,
proporcionando à criança oportunidades para que tenha um desenvolvimento adequado.